Tanto de sossego,
tanto de Paz,
aonde quer que o Caminho vá,
confio
que não é o fim,
pois a Luz está dentro de Mim.
Digressão Poética
Tanto de sossego,
tanto de Paz,
aonde quer que o Caminho vá,
confio
que não é o fim,
pois a Luz está dentro de Mim.
Tédio sem cor,
réstia de sépia ardente,
que devora
esta Dor que não se vai embora.
Talvez um pouco de Céu bastasse
em cada pranto
para se ver um rosto sorrir
e como um espelho que revela a graça
nele uma Alma se entrelaça.
Volto uma e outra vez
àquela madrugada consentida
e sei que ainda voltarei
quando estiver sumida a vida,
pois cravos são Amores
vermelhos como as Flores.
Entre a folha e a raiz,
corre a seiva,
também assim no Mundo
corre o pensamento profundo
daqueles que amam
a Paz
e o Sonho que a faz.
Tiro da gaveta do tesouro o papel de ouro,
nele gravei a estilete
a maravilha de cada dia
sol claridade
e um pensamento que arde
procurando a Verdade.
A boneca
de trapos
e o pião e a corda
tudo arrumado na casa do castelo;
mas e o papagaio de voar?,
não está
no seu lugar,
porque com ele sou a Imaginar.
Uma nova vida se planta
como árvore
depois da poda -
e podia acontecer que o Ser,
num eterno agora,
firmasse na realidade
o seu Sonho sem hora.
Flores na margem do meu rio
que corre tão lento
que até parece que cá dentro
tudo enfim morreu;
mas é apenas um adeus
que sepulta um orvalho antigo
- Vem comigo, meu Amigo.
A quietude
é algo que se veste
quando acreditamos
que o sossego entra dentro de nós
a sós
e apenas ouvimos a nossa voz.
Não entardeças, ó Beleza antiga
e nova,
que o pensamento
ecoa, por dentro, uma trova;
Poema será,
se no espírito estiver do tempo
a Graça,
por onde o coração passa.
Do cais das naus para o Mundo -
matéria de um Sonho
sonhado -
áleas e praias e colinas
e imorredoiras primaveras
tão longe de Mim
que me
convenço
que apenas me dói porque penso.
A orquídea floriu.
E nessa grandeza doméstica
há uma Beleza
tudo se renova concerteza.
em memória de Conceição Rosa
Tanto de me esquecer,
já não sei dizer
quando me estendeste a Mão;
ou foi o Coração?,
relicário fervente,
que até o esquecer consente,
que me desamparou?,
e eu não sei
por esta é a lei.
Por estas ruas, cá dentro de Mim,
o Caminho é infinito,
e pouco importa
se nunca chegarei
ao sítio para onde irei.
O que vejo cabe na palma da minha mão,
lugar a lugar,
da madrugada ao anoitecer,
tudo é sempre igual no caminho do meu ser;
mas que importa esta desgraça?,
se cada lugar por onde a gente passa
de leve
não pode prometer
que ninguém há de morrer.
A mágoa é como o vento
um amargo desalento
que não se sabe donde vem;
mas que sopra
e a cada rajada
fica a face enlutada.
Quando saí ao portão
que me conduziu à Liberdade,
percebi que o tormento de verdade
mais que não tivera
que ser
o meu pensamento a arder.
Entre o esplendor do dia
e o clamor da noite
a minha Alma confia
e vagueia
procurando a Lua Cheia.
Vou até ao fundo
do pesadelo
e sou a estrela que respira
entre o movimento da realidade
de drones e bombardeios
que povoam sonhos alheios.
A planície estende-se à minha frente
sempre verde
até àquele infinito
que o Coração habita
sem desdita.