Há uma memória
em cada
esquina angulosa
e em cada edifício há um lugar
de bem estar -
e tudo parece perfeito,
quando de rosa negra ao peito,
a partida da vida
recomeça
e eu caminho sem pressa.
Digressão Poética
Há uma memória
em cada
esquina angulosa
e em cada edifício há um lugar
de bem estar -
e tudo parece perfeito,
quando de rosa negra ao peito,
a partida da vida
recomeça
e eu caminho sem pressa.
O Sonho que por Mim passou
não era verdadeiro
era uma onda como no Mar
a adentrar na areia
espuma
e maresia
numa mão vazia.
Parecem tambores o canto dos pássaros
agora que não há
aquele ninho no meu quintal
no umbral da porta
e parece que ninguém se importa.
Mais do que nada,
uma frágua -
penedo
que aqui mesmo se agiganta
e que já não me espanta.
O que estou a sentir?, tão perto
de Mim,
que minha Alma se veste assim
de flores e de frutos
maduros -
e vive
confiadamente
no eterno presente.
Por todo o lado, madruga a aurora
quando, fora na noite,
os deuses agitam o pensamento
no Sonho por dentro
e quem sonha
confia
que já nasceu o dia.
O meu lugar no Mundo
é breve
como uma brisa leve
que a lisura da areia desfaz
num ziguezague corrido
e que dá à vida o sentido.
Parece que é agora o tempo
da colheita -
vindimo então na vida
cada cacho
e será um vinho novo o que acho.
Passagem ligeira da brisa estelar
pelo meu corpo
despido
e a sombra estende-se
como pálpebra que se semicerra
nesta terra.
Olho o Céu límpido
e puro
e penso na Ave primeira
a que com a minha paz
sem demora
a cada hora
parece que também chora.
Mole e argilosa,
nas mãos do Oleiro,
minha vida é um molde passageiro
que estremece na roda
como árvore na poda.
A tarde é maior do que o tempo
que há
para viver o dia -
e alguém se lembra de Ti,
ó avó,
com a Palavra do recomeço
e com um Amor
que eu estremeço.
Antes da Palavra,
a epígrafe
define tudo aquilo que entardece
na vida
e no ocaso do poema
se vê
o que ninguém lê.
Semeia e viaja,
e verás
no campo florir
como um mistério
o teu sentir.
As pedras rasgando o solo
vincam a raiz
que sustenta o tronco da árvore,
e parece que entre a pedra e a raiz
está o que deus quis.
De Coragem se fez o dia
logo que amanheceu
e a Luz venceu o breu -
e, se no Mundo acontece,
que há quem da bravura se esquece,
diz-lhe que não há
melhor penhor
que trocar medo por amor.
De nada adianta ter pressa.
Depressa
não se vai além
do corre corre das gentes -
e indiferentes ficaremos,
neste Mundo, e sem esperança
de sermos a mudança.
Fugiu da multidão
e foi para aquele deserto
onde de si estava mais perto -
porque só no puro Silêncio
podia ouvir
Aquela pura voz
que está bem dentro de nós.
Escrevo a Palavra
na entrelinha
e fica mais apertado o sentido -
a Palavra não respira como num verso solto
e definha
na entrelinha.
Reimagino o primeiro passo,
antes da manhã
desperta,
e não sei se foi em vão
o despertar -
antes fosse planta num vaso
esperando pelo ocaso.
Chamo-lhes garças,
a estas aves
fugitivas
que atravessam o meu Céu -
o Céu de acreditar
que vale a pena Sonhar.