sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Regresso a Sul





Regresso, por breves instantes,

a este Sul do Coração de Mim.


Do mirante não vejo senão

o longe da planície escaldante

e o sossego

como se aqui desaparecessem

todos os medos

e o mais além do Homem, a Coragem,

estivesse comigo nesta paragem.






quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O sino da minha aldeia





Na minha aldeia, o sino toca

sempre a eternidade,

ora assinalando a passagem

da noite e do dia

ora em ovação

gritando as dores do coração.


É assim o meu presente, nesta aldeia,

tão imortal que até parece,

ao final da tarde,

que os deuses se passeiam na sombra,

ouvindo também este sino

tão pequenino.





quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Roseiral





É única, cada uma das rosas,

do meu roseiral,

e, como uma andorinha esvoaçando,

toda a fragrância que se liberta

torna cada uma uma rosa completa.







terça-feira, 11 de agosto de 2015

Roseiral





Não há mais Beleza

na Rosa que em partes se divide.

Só há Beleza na Unidade

e esta é a verdade.


Cada rosa tem a graciosidade

do Todo do seu Ser,

tudo para além é perecer.


Por isso, deixo morrer cada  rosa

no roseiral, pois a Unidade

permanece

e, assim, nada da Vida se esquece.






segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Vento suão





O espanta espíritos da casa

tem propositadamente

a forma de mandala

para lembrar, quando se agita

no vento, quanto é nosso só um momento

neste universo em movimento.


Por isso, celebro o vento suão

como o mistério de uma oração.



domingo, 9 de agosto de 2015

Água de prata





Medito longamente pela tarde fora,

e, ao mesmo tempo,

chovendo,

parece que a Alma

encontra o sopro, na distância

do tempo,

que permite que a largueza do Coração

não seja empregue em vão.



sábado, 8 de agosto de 2015

Verso irregular





Poeta herdeiro daquela gente esquecida,

estende, hoje, a tua mão

treinada na escrita

e constrói um hino de ovação

à tua linhagem das gentes

que cavaram na terra

os versos sublimes

de uma futura monção.








sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A tangência das horas





É madrugada.

Desperto na noite escura.

E, sem um horizonte de penedos,

não posso orar àquele deus desconhecido

que dá o conforto e a esperança

a cada um que é Criança.


Por isso, encerro-me no breu,

sem um farol dos sentidos,

como todos os Homens perdidos,

na busca de um sonho que não vem

e que não me leva mais Além.












quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Lembrança




Aqui, a Sul,

há uma outra esperança

que é feita só do recordar -

e, então, toda a Paz do universo

toma conta do meu Coração -

como se o tempo não se fosse jamais

embora de quem aqui, nesta rua, mora.





quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Dia comum





Se o sonhasse, seria este dia

um infinito instante

de liberdade e de perdão

para todos os filhos da Terra.


E haveria uma brisa amena e fria

a circundar todo o pensamento

mesmo o mais sedento,

perdido no desalento

da memória.


Assim se escreveria nova história

em que cada dia

teria uma natureza sadia.

















terça-feira, 4 de agosto de 2015

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A bênção da chuva




Fresca e breve, no mais tórrido calor,

a chuva é a bênção

tão desejada

para uma alma na sua jornada.



domingo, 2 de agosto de 2015

Terra à vista!





Deste cais, escrevo uma palavra

para o teu mundo,

Caminheiro da longa jornada,

dizendo-te que a hora é chegada.


E, se me ouvisses em silêncio piamente,

recordar-te-ia a longa e difícil travessia dos mares

que, sem a certeza de alcançar, deu à pátria a heroicidade verdadeira

daqueles que apenas buscam no infinito

a verdade de um só grito!


Assim se constrói o sonho na jornada

hora a hora e mais nada.






sábado, 1 de agosto de 2015

Êxodo para o Sul




O viajante pára à beira da estrada

para pisar a nova terra e o novo chão...

Oh! bela e estranha imensidão!,

que faz do homem que sabe ser

sozinho

um marco no caminho.



segunda-feira, 27 de julho de 2015

A primeira palavra




Tem silêncios de corais

a palavra primeira

da descoberta do nosso Ser

tanto, tanto, tanto tempo depois

do nascer.


E é mais bela e mais verdadeira,

esta palavra primeira,

do que a simples condição de viver.


Por isso, não me falem em paraíso,

nem em anjos, nem em deus,

quando nesta palavra primeira

tenho a imensidão eterna dos Céus!




domingo, 28 de junho de 2015

De serem os dias iguais




Primeiro as linhas do som

do violoncelo

desenharam novas linhas de pensamento

no meu ser, que, habituado

ao grande silêncio das catedrais de pedra,

se comoveu em espanto.


Mas, depois, no tumulto assombroso da multidão,

e longe de toda a melodia,

vi apenas uma cidade sombria.











sexta-feira, 19 de junho de 2015

Helénica!




Nesta morada,

existe apenas a madrugada

e aquele reflexo de claridade, do sol distante.

Por isso, na solidão do nosso ser,

o silêncio é mais é maior

que a lonjura

da distância absoluta

entre a morte e a tua luta.



quarta-feira, 17 de junho de 2015

Into memory




O reflexo de mim

neste espelho que é a vida

traz-me ao pensamento

cada outro momento

que vivi

sem pensar no envelhecer.


É agora o tempo do morrer

a cada dia

da existência

como se cada instante

que passa

mergulhasse na mais absoluta ausência.


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Poeira




Através da vidraça,

vejo uma árvore inquieta

cujo horizonte é o céu.

Que longo martírio o seu!,

tão eternamente presa às raízes na terra

sem poder voar, como as aves, ao encontro de um deus.








terça-feira, 9 de junho de 2015

cinco de junho: nova estação




Na minha vida,

só há duas medidas,

ou é inverno ou é verão

não existe uma outra estação.


E nesta singular realidade

eu aventuro-me

na descoberta de uma a uma

cada coisa incerta

que há no meu pensamento:

ou uma roseira nascendo

ou o tempo envelhecendo.


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Oil painting



Amanhece,

sem pressa, e sem burburinho -

a grande multidão que há de invadir

a cidade dorme ainda.


E eu, quase na madrugada, experimento,

neste chão das ruas sem gente,

o momento único em que a vida é inteira

e por isso mais verdadeira.