domingo, 9 de dezembro de 2018





Vem, caminha a meu lado. Deixa que o dia, que a noite, sejam os guias. Orvalho da manhã. Primavera fugitiva.






sábado, 8 de dezembro de 2018





Na azáfama do tempo de ser, esqueço-me de viver. E, como eu, tanta gente apressada cruzando-se, e entrecruzando-se, e mais nada.






sexta-feira, 7 de dezembro de 2018





Os ruídos das grandes cidades ecoam em nós. Ruas. Praças. Avenidas. O burburinho do que é prestes a desfalecer, quando a cidade se cansa e adormece.






quinta-feira, 6 de dezembro de 2018





Nas gentes que se entrecruzam, de manhã e ao entardecer, não há senão um mesmo rosto. Máscara de ser. Multidão.






quarta-feira, 5 de dezembro de 2018




A antemanhã. O anteclaro de ser dia. E a memória da noite fugitiva abraça-nos, por um instante, no antes do despertar.








Atravesso o rio e na outra margem encontro o outro em Mim. Silêncio.






domingo, 25 de novembro de 2018

Neblina e Luz




Minha eterna paisagem!,

que Paz imensa

em ti eu encontro,

quando, no cimo da colina,

nasce a neblina,

e, num recorte perfeito,

o horizonte cabe todo no meu peito.




sábado, 24 de novembro de 2018

Abel




Nem mesmo no olvido,

da sombra do que é a morte,

saberão os deuses desta minha loucura?,

de reviver o instante passado que não dura.





segunda-feira, 19 de novembro de 2018

A forma das coisas




Na sua arte, o artesão

dá forma e cada vime

se entrança

tal como cada palavra

é tecida

na poesia da vida -

e apenas sonhou a semente

ser de um Sonho ausente.




sexta-feira, 16 de novembro de 2018

No outono




Sempre que nasço,

há um canto de primavera

e dele jorra a luz

a iluminar o meu nascer -

que estranha é esta vida assim,

em que brotam,

sem haver fim,

mil pedaços de Mim.






segunda-feira, 12 de novembro de 2018

No Coração




Dispo as vestes

já velhas e usadas -

as vestes das longas caminhadas -

a acorro a um instante de mar

para te Amar.






domingo, 11 de novembro de 2018

Olhar a paisagem




Um manto de nevoeiro

cobre a colina -

névoa também no amanhecer

a cada dia

deste viver...


... mas mais lúcido

o olhar se firma,

quando, do manto de nevoeiro,

eu vejo, em sonho,

o verde do outeiro.








domingo, 4 de novembro de 2018

The perfect place




É de seda

esta chuva que cai

desde o início da tarde -

e, embrulhada em silêncio,

minha Alma medita

saudosa

do dia que há de amanhecer

trazendo, ao Mundo, um novo viver.






quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Outono junto ao Tejo




O rio corre

na largueza entre margens

e o meu Coração

floresce de outono -

castanho doirado

amarelo e verde prata

e um silêncio a que sou grata.


sábado, 27 de outubro de 2018

Trees lose their leaves




... e o manto

de folhas que cobre

o chão faz lembrar um imenso

mar colorido

e, por isso,

tem a Vida mais sentido.




sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Pensamentos




Neste recanto a ocidente,

florescem e são mil os Poetas -

que extraordinária Maravilha!,

que Multidão de pensamentos,

vivos, puros, sedentos,

que iluminam este Céu,

e tão profundo,

que aqui é o cabo do Mundo.




domingo, 21 de outubro de 2018

Outonal




Sonhar-te é a arte

que me resta -

quando, letra a letra,

silenciosamente,

desenho no caderno

o era uma vez

de um sonho outonal

tão simples e mortal.






sábado, 20 de outubro de 2018

A boa memória dos poetas

20 de outubro de 2018


Frame a frame,

desgravo toda a recordação

que não é oiro e Luz -

e seduz-me só a boa memória

dos momentos

que vivi

de alma luzente

que, em Felicidade, pensa e sente.




sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Ogygia




Correm os dias, calmos

e sossegados -

e, como num olimpo

de serenos deuses,

quebra-se e vai morrendo

a vontade da inspiração

no pensamento e no Coração.





sábado, 13 de outubro de 2018

O rumo dos ventos




A memória da tempestade

é um pensamento

que me invade

e sufoca

a minha essência -

não floresce a consciência

e a alegria

morre ao nascer

no fundo do meu Ser.




quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Poeiras




Atravesso o silêncio

da noturna hora

como ave que sem abrigo

procura na imensidão dos Céus

o destino dado por um deus

que de Mim se esqueceu.