A régua de medir as alturas
é curta
e não chega da terra ao céu
é precisa outra ciência
irmã mulher amada
nesta vida amargurada
A régua de medir as alturas
é curta
e não chega da terra ao céu
é precisa outra ciência
irmã mulher amada
nesta vida amargurada
O verso em letra impressa aguarda por Mim
numa página branca e pura
como se sozinho
ele ensinasse o caminho.
Antes que o tempo fosse tempo,
só havia eternidade
e o movimento da lua pelo sol iluminada
era uma pura jornada
de uma dança sempre bailada.
Fecho a porta e deixo o burburinho do mundo
lá fora,
é, então, que se faz um grande Silêncio no meu Coração,
não de coisa morta,
mas, sim,
de uma união que exorta.
Subitamente,
o espanto
da metamorfose do ser -
é borboleta o bicho da seda -
na caixa de cartão,
e é essa a grandeza da solidão.
Pregas o botão no casaco,
com uma linha preta de cor,
e a agulha corre ligeira à tua maneira.
Mas aonde paira o teu pensamento,
que voltas e voltas como onda do mar,
aonde vais buscar
a mestria do laborar.
Na sombra dos deuses de bronze, nos criaram
e somos hoje viajantes sem destino
procurando um deus pequenino.
O tempo que passa não volta
ao meu regaço
bem sei - esta é a lei.
E se até a pedra da montanha
se quebra e se parte
assim também é na arte.
Um arco-íris fugaz iluminou o céu
e me lembrou
o lugar onde estou.
Aqui - entre memórias e esperança -
entre um mar bonançoso e a verdade -
nunca é tarde.
Um castelo de areia é do ofício
de quem constrói
na efemeridade
um instante de verdade.
A Palavra parece esquecida
mas no retorno
da vida
Ela aparece e vem
como se fosse um sopro do Além
Aqui, no turbilhão dos pensamentos,
sou por um instante feliz.
Sei que a escada por onde subimos
também se desce
e que até quando se esquece
a memória volta a prevalecer.
E em tudo como em nada
neste viver
só a esperança não pode morrer.
Acredito na palavra verdadeira,
como estas árvores, nua
e esta é a minha lembrança tua.
Sei que serás o obreiro da Paz,
neste longo entardecer
do mundo.
E que da noite virás
sendo o meu Sonho profundo.
E na 'sperança do teu Ser
minha Alma de dores despida
é uma chama nesta vida.
Pouso a mão sobre a mesa
e deixo que nessa lassidão de abandono
o presente seja aquele agora
em que o instante se demora.
Quando escurece, os prédios iluminam-se devagar,
são pequeníssimas estrelas
em cada esquina
como no céu de Além
de onde toda a Luz vem.
E eu, entre estas duas paisagens
emparedado, em silêncio me mortifico
por a luz do meu Ser não ser.
As flores que colhi
esmoreceram
na jarra de vidro antigo.
Pu-las num papelão
e atei-as
- talvez que presas assim
me lembrem que tudo tem um fim.
Dir-me-ás que é sempre
este clamor
como uma pedra de calçada
irmanada no passeio
ou como uma rosa num roseiral
tão diferente e tão igual
À hora da tardinha, por um pouco
eu pensei nas aves
que cruzam os céus
voando livremente.
Mas e o homem, que forças o domam
para não perceber
que sem Sonho se pode morrer.
Passo a passo, sem segredos,
pela vida caminho agora
e o chão que piso
e o hemisfério em que estou
são a linha por onde vou.
Todo o dia o céu foi de névoa fria
e eu meditei
na Palavra e na Lei
talvez meditando eu consiga
ver um mundo justo
e sem mal
e que isso seja real