Todo o dia meditei
sobre a Verdade do meu Ser
realidade ou ilusão
se ao menos nas ilhas Afortunadas
eu pisasse o firme chão
talvez que a Verdade nascesse no meu Coração.
Todo o dia meditei
sobre a Verdade do meu Ser
realidade ou ilusão
se ao menos nas ilhas Afortunadas
eu pisasse o firme chão
talvez que a Verdade nascesse no meu Coração.
Não esqueças que o rio apenas corre
numa única direção
e que quando no silêncio morre
tem no mar a vastidão.
A escuridão veio com a noite que chegou,
mas o final da tarde foi lento
a passar -
um sol que começa a nos namorar.
Fito na brancura do pensamento o fruto
já maduro
e trinco nas sílabas das palavras as duras sementes
até que um amargo na boca
faça estremecer
o desenho do poema no meu Ser.
O dia amanheceu cinzento
tanto
que não pude eu amanhecer
na luz de um outro viver.
Fez-se silêncio à minha volta
e em Mim
e nas paredes da casa já não escorre
na brancura
o tardar do tempo desse Longe
que é ter no Coração
a terra prometida
quiçá perdida.
Eis que a vida acontece,
qual chávena de chá de beber,
que eu agarro
e prendo na minha mão
sem sorver o gole da imensidão.
Domingo à tarde. Ninguém pelas ruas da cidade.
Apenas eu ouso atravessar a avenida
como quem procura na vida
o regresso
à casa da lembrança
de quando eu era Criança.
Colho a romã e cada bago vermelho
rola no meu seio
como uma semente de vida
que apetece trincar
para infinitamente estar.
Entre a minha casa e o resto do mundo
a distância
e parece que dos confins da Terra
me chega um rumor
- triste -
a guerra persiste.
Era uma parede muito azul,
tanto, que era como se escorresse do Céu a cor
e, então, eu encostava-me nela, ou no céu,
e era um lume
cá dentro de Mim
que nunca chegava ao fim.
Um sorriso é o que basta
do princípio ao fim de uma vida
é ternura infinita
é amor que não se esquece
e que ao mundo se oferece.
Nos corredores do desassossego,
há muitas portas viradas para o lado de dentro
que perturbam este meu pensamento.
Eis que a tarde chega ao fim.
E não sei porque vem da obscuridade o dia -
mas vem
é na noite que nasce o clarão
da nossa imensidão.
Ó centro de tudo, talvez nos confins do mundo
onde é sempre primavera,
possa um verso nascer no meu rosto
e ser um tesouro
de prata e ouro.
As estrelas têm aquela luz natural
que aos meus olhos
parece irreal
como quando abro a porta da rua
e a noite nua
e sem distâncias
reverbera em mil fragrâncias.
Tamanha era a esperança
que no meu Coração pousou
que não viu não quis ver
um amor a morrer.
Sozinho caminho
e misteriosamente a estrada que fica para trás
no meu peito se desfaz.
Como quem procura uma floresta,
no meio de cimento e alcatrão,
assim meu Sonho
é em vão
pois neste mundo real
sonhar é coisa tamanha
que até parece estranha
Com um verso se conversa longamente,
que é tertúlia sem enfado
nem pecado
e por isso quem verseja
tem nesse mourejar
o mundo e um lar.
Silêncio, que, sem perturbação,
as horas idas
na solidão inflamas,
devolve-me a comoção e a piedade
daquela outra idade.