quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Flor da esteva



Noite, antiquíssima, que geras no teu seio

o clarão que alumia os povos,


vem mansamente


para que do teu regaço

nasça um novo 

passo.




terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

A cor do dia



Agora reparo que é estranha a Mim

a ausência e um fim


por isso quando de brilhar o sol se esquece


e o ocaso não é ilusão

perduram as horas no meu Coração



 

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Linhas finas



A linha da encosta lá no alto

toca a linha do céu


e tão perto e tão distante


lembra que também nas nossas vidas

se entrelaçam linhas parecidas.




domingo, 18 de fevereiro de 2024

Do rio nada dirás



Esta é a hora mais mortal

a do silêncio

no tanger dos sinos


que antes de alegria soaram

e no meu Coração tocaram



 

sábado, 17 de fevereiro de 2024

O viajante



Pelas ruas do meu bairro, 

sou corsário


singrando em belas naus inventadas


e quando chego ao cabo do mundo

vejo que o Sonho é profundo.




sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

O ritmo das coisas



Respiro o sopro dos dias

como quem

o faz pela última vez


e é uma força que daí vem

colhida em ninguém



 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Tiago



Dou-te a mão e penso

que é estranha esta condição

de dar a mão dando eternamente o coração.




quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

A propósito do Ser



Abro o livro ao calhas como numa adivinhação

e o que encontro é uma página

em branco,

sem caracteres nem palavras,

muda num silêncio puro


parece que o Mistério se cala

tal como deus não fala se é ou não eterno e imortal

e dos homens semelhante ou desigual




terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Trouxe flores



O manto branco de neblina na encosta

faz-me pensar

que é num dia chuvoso e cinzento

que um homem se vê melhor por dentro.



 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

E o fim da tarde chegou



E o fim da tarde chegou como uma esquina

entre dois prédios


que conhecemos bem


mas de um e outro lado a sombra e a luz

parece uma enorme cruz.





domingo, 11 de fevereiro de 2024

A margem de cá

 


Todo o dia meditei

sobre a Verdade do meu Ser

realidade ou ilusão


se ao menos nas ilhas Afortunadas

eu pisasse o firme chão

talvez que a Verdade nascesse no meu Coração.





sábado, 10 de fevereiro de 2024

About saturday



Não esqueças que o rio apenas corre

numa única direção


e que quando no silêncio morre

tem no mar a vastidão.



 

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

O belo tarda em partir



A escuridão veio com a noite que chegou,

mas o final da tarde foi lento

a passar -

um sol que começa a nos namorar.



 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Como desenhar uma maçã



Fito na brancura do pensamento o fruto

já maduro

e trinco nas sílabas das palavras as duras sementes

até que um amargo na boca

faça estremecer

o desenho do poema no meu Ser. 




quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Tons de cinza

 


O dia amanheceu cinzento

tanto

que não pude eu amanhecer

na luz de um outro viver.




terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Pequeno detalhe



Fez-se silêncio à minha volta

e em Mim


e nas paredes da casa já não escorre

na brancura

o tardar do tempo desse Longe


que é ter no Coração

a terra prometida

quiçá perdida.



 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Como o inverno



Eis que a vida acontece,

qual chávena de chá de beber,

que eu agarro

e prendo na minha mão

sem sorver o gole da imensidão.



 

domingo, 4 de fevereiro de 2024

Quem ousa



Domingo à tarde. Ninguém pelas ruas da cidade.

Apenas eu ouso atravessar a avenida


como quem procura na vida

o regresso


à casa da lembrança

de quando eu era Criança.



 

sábado, 3 de fevereiro de 2024

Esse instante



Colho a romã e cada bago vermelho

rola no meu seio


como uma semente de vida


que apetece trincar

para infinitamente estar. 




sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

É só uma rua



Entre a minha casa e o resto do mundo 

a distância

e parece que dos confins da Terra

me chega um rumor

- triste -

a guerra persiste.




quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

No labirinto das palavras



Era uma parede muito azul,

tanto, que era como se escorresse do Céu a cor


e, então, eu encostava-me nela, ou no céu,

e era um lume

cá dentro de Mim

que nunca chegava ao fim.