Na talagarça pesponto um ponto
e desenho
numa aventura de artista
a árvore tombada pela ventania
que lembra uma cruz fria.
Mas se olho de cima para baixo
do céu para a terra
a árvore se eleva.
Na talagarça pesponto um ponto
e desenho
numa aventura de artista
a árvore tombada pela ventania
que lembra uma cruz fria.
Mas se olho de cima para baixo
do céu para a terra
a árvore se eleva.
O santuário do Coração está cheio daquela vida
que incensa e sagra
cada instante
que nos leva para diante.
Um sorriso azul aconchega-me na tarde
como se o Sonho florisse
no teu rosto
e do cais de onde partem barcos de papel
um lampejo claro de luz
reverberasse
e luzindo chegasse.
Assombro de não ser uma estátua
nua de pedra fria
que apenas visse passar o coletivo da multidão
indiferente
à dor do presente.
Florescem os jacarandás
e um manto lilás cobre o chão da avenida
de novo
é o maio maduro da cidade
que se demora
eternamente agora
À vista a Montanha,
íngreme subida,
e que importa chegar ao cume
se a branca magia
se o sortilégio do Coração
é não subir um degrau em vão.
No jardim aberto colho a Rosa verdadeira
e ela me acompanha
até à hora final
e, sem porquê saber,
novíssimo dia está a amanhecer.
Atravessado pela luz, o pássaro vermelho voou
solto do ramo verde e doirado
que dá o abrigo
e na busca do verso que eu persigo
vejo na Natureza
um exemplo de grandeza.
Naquela rua aonde nunca passei,
espera-me, transparente e nua,
essa graça que é a tua.
Multiplico cada hora da vida por uma fração de tempo
e o resultado me cruxifica
nisto que é a suma verdade
o amanhã é demasiado tarde.
Um gesto demorado, muito lento,
como se com as mãos e o corpo cortasse o ar
e o tempo
cuja ausência me grita
é dor
a tristeza dum penhor.
Há um tempo em que está frio
e há um tempo em que estou triste
tudo na vida existe
tal como um rio corre naturalmente para o mar
sem precisar de o procurar
Um pouco de céu
basta
e não é longe nem perto
é na perfeita distância
do homem na sua ânsia.
Não queiras adormecer.
Deixa o sol viver dentro de Ti
pela noite fora,
como no dia de agora
em que pela porta entreaberta
se vê a tua Alma liberta.
Caminhos sem ninguém
e ao longe a águia imponente
que habita o Coração da gente
cruza os ares da infância
e não há não há distância
No céu da imaginação, o Sonho é sempre lilás
porque um deus o faz -
mas a caneca partida e a flor murcha no vaso
são no contraste a minha vida
são o que do assomo em Mim eu faço.
Eclodem as folhas verdes na árvore
e, então, percebo
que a vida assim acontece
mesmo que seja estranho,
neste acontecer,
só a minha alma ser a viver.
Veio à terra a promessa
de que o sol e a chuva nestes caminhos
não mais nos encontrarão sozinhos
e mil homens acordaram
e num abril madrugaram.
Timidamente floresce a orquídea,
presa ao chão da terra
por onde caminham os meus passos
e heroicos e gigantes
têm a grandeza dos instantes.
É na esquina destes prédios que me confundo,
procurando o jardim
que há ainda dentro de Mim.
Parece que estou sentado à beira rio,
vendo o curso de água a passar,
qual espelho fugaz
que me mostra que no entardecer
a luz é uma ave
num voo mais suave.