Nada. Nenhum alento
é mais forte
que uma Palavra que importe
como num dia a Magia
que no meu Coração havia.
Nada. Nenhum alento
é mais forte
que uma Palavra que importe
como num dia a Magia
que no meu Coração havia.
O pensamento brinca comigo
(ele é o meu abrigo
e meu fiel tormento também)
como alguém que quer brincar
e só sabe alinhavar
o ponto a ponto que a vida tem.
Lentíssima, foge do meu olhar
na noite clara,
esta lua que não se esquece -
favo de mel brilhante
obreira da maré
daquele que sabe quem é.
Certeza de recomeçar
e de reerguer
a Voz
que no Silêncio emudeceu
sem saber a Hora
e vê que é Agora.
Este é o meu escutar
de andarilho -
colho uma Palavra aqui e além
e sopro -
então anoitece
e tudo me esquece.
Moram as palavras na volta de dentro
do pensamento
e é longínqua a gargalhada
por se saber
que chora em pranto o doce Ser.
Prodígio
de te procurar
nas águas do Mar -
e sem saber dos confins a condição
bem me parece
que o passado não esquece.
Quanta realidade
nestas aves
que esvoaçam no meu Sonho;
nem a escuridão nem o Silêncio perturbam
o seu voo oblíquo
e cada asa flamejante
é luz num novo instante.
Do bordado brandirei
a Verdade
contra a guerra miséria e fome
contra a injustiça e impiedade
que são os outros nomes
do puro mal
neste mundo mortal.
Tanto céu e só há uma página
no nosso Coração
tanto como a imensidão
e que única e singular
a vivemos
porque a merecemos.
Hoje, é de sempre o dia
aguardado;
não há sombra nem incerteza
e é pura a Beleza
de um vaso partido
se a Flor tiver nascido.
É ao entardecer
que é mais suave o dia -
e uma luz que se apaga nos distancia
da dor que em nós havia.
Brandamente a respiração se exala
e parece até que se sustém
não vai nem vem por um momento
em que sangra
cá dentro
a minha Alma sem alento
sem o ar
que dá sustento.
Demoro-me neste pensamento,
que é todo ele coisa de Mar;
onda que vem,
onda que vai,
marulho e uma gaivota
que quer voar,
mas não sabe por onde começar.
Se um verso viesse cotejar
a aridez
do meu pensamento,
por certo, bem perto, nesse vazio
encontraria
a minha Alma de vigia.
Desenhei uma côdea de pão
na calçada
e vieram os pássaros de luz
iluminar a gravura,
que pisamos
quando caminhamos.
Vamos conversar uma conversa
sem fim -
tu és a menina e eu sou o jardineiro do jardim -
e falamos de Roses e daisies,
lilies e violets,
e nisto o Mundo fica completo
porque te tenho perto.
Brilhante estrela,
que cativas quem importa,
vem brilhar à minha volta,
vem ser o Céu ao meu lado,
não olhes para o meu pecado.
Pego no livro antigo
e leio
o que já reli -
toda a aprendizagem é assim -
e num momento esquecemos
o tanto que já vivemos.
Que é da força do vento
cá dentro de Mim?,
que ventania é esta que molesta
toda a natureza,
mas que cá dentro não encontra alento
nem força de vento
em nenhum momento.
Se me perguntas,
por que havia eu de voltar
a ver o Mar,
te direi
que sou rio
e sou gaivota
e o meu Amor não se esgota.