Novo Palimpsesto
Digressão Poética
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Linha e cor
Cortaram os ramos das árvores!,
aonde se abrigarão, agora, os pássaros,
quando chegar a primavera?
E eu?, sem o murmulhar das folhas
rente à janela?, como meditarei sem esse eco
da Natureza da minha tristeza?
sábado, 14 de novembro de 2015
Pequeno milagre
Agora que o silêncio
tem reminiscências de eternidade,
o fim do dia amanhece
como uma prece.
domingo, 8 de novembro de 2015
Paisagem branca
Regresso.
Regresso à paisagem da infância
para aí encontrar
de novo
o que de mais autêntico tem
cada dia
- o céu claro da Harmonia.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Madrigal
Conforme ao correr dos dias,
o meu Ser
mergulha, sonhando,
nestas calmas tardes sem maresia,
num silêncio duradouro.
Este é o meu tesouro,
encontrado no baú dos sonhos desfeitos,
das metas mal sucedidas,
e dos desencontros das vidas.
Porém, a cada dia que amanhece
logo encontro na minha alma inquieta
um novo sonho, uma nova meta,
que novamente me desperta.
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Talvez um primeiro verso
Talvez um primeiro verso
seja mais verdadeiro
mais puro e mais subtil
do que dizer a palavra «amor»
a não ser sobre uma flor.
domingo, 1 de novembro de 2015
A poeira das palavras
Chove e cada gota que cai
resplandece.
Manhã cinzenta de outono.
Lembrança de outro dia ter sido assim.
E, na minha alma, na poeira da memória,
lembro que num mesmo céu tão denso e escuro
havia um luminoso segredo:
- Vai, ide, para além do medo!
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Na mais absoluta espera...
Espero que um dia,
numa manhã, sem nevoeiro,
só feita de ouro e de prata,
tu regresses tal como o amado Rei...
E, então, da Alegria
jorrará a Fé
e eu serei
crente e amante da Esperança
como quem recita um poema
e nele a sua alma se lança.
sábado, 10 de outubro de 2015
Cinzento outonal
As árvores, nas traseiras da casa,
estão quase invisíveis. O nevoeiro
estende-se e oculta a paisagem
e a linha da encosta.
Meu horizonte escondido!, minha alma
eterna e calma!, vinde
e sede o centro do meu Ser,
e trazei-me a música da sublime melodia
da Liberdade - perene Verdade!
domingo, 4 de outubro de 2015
A essência
Papel branco de carta.
E escrevi, nele, a essência
desse momento
em que estive mais atenta
ao meu próprio movimento.
E esse instante foi belo.
E esse instante trouxe-me
a certeza de mim própria,
da minha inteireza,
neste Universo tão diverso e amplo
em que o sopro de uma só voz
é, afinal, a unidade de nós.
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
A casa branca
Todo o lar é uma casa branca
no cimo das dunas
debruçada sobre um mar.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Paisagem de outono
Que luz!, atravessando
este meu Ser.
Tão suave o meu outono
e tão de Paz,
que apetece viver Toda a vida
novamente
com esta alma que sente!
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Azul novo
Acredito, agora, num céu de azul novo,
tão claro quanto
este meu novo pensamento,
que luminoso e sem tormento,
constrói uma nova religião e uma nova fé:
- Este novo Homem, quem é que ele é?
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Volátil
Toda a forma de arte
é perecível.
Só na pedra dura o engenho.
Por isso, imagino que neste oceano empedernido
há a eternidade que persigo.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Melodia
Canto o outono.
E a minha canção dolente
é a de uma alma de crente
que aguarda e espera
que volte ao Coração a primavera.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Aprendiz de poeta
Se ao menos houvesse uma lágrima
que escorresse no meu rosto,
a dor do Coração
descansaria por um momento.
Mas o milagre de uma lágrima derramada
precisa de uma partida e de uma chegada.
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Sobre as horas...
É meu fascínio o Tempo.
Por isso, debruçada sobre as horas,
dou alívio à sublime tentação
de esventrar cada segundo
como se assim acabasse o mundo.
sábado, 5 de setembro de 2015
Movimento
Tão longe, o roseiral!,
mas não tem mal,
pois trago cada rosa em botão
tão próxima do Coração.
E assim me movimento,
no longe e no perto,
com uma força renovada
como se fosse só uma esta estrada!
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
O dia do céu cinzento
Uma alma a pedir regeneração
e este céu,
tão escuro!, assinala afinal
o caminho único da liberdade:
é por entre a escuridão que se encontra a Verdade!
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
O lugar natural
Dentro de mim, o lugar natural
é a Paz.
E a seiva que escorre,
como uma árvore sofrendo,
é um resto do orvalho
deste tempo morrendo.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Eterno setembro
Límpido de terra o céu
parece que no cinzento de cada nuvem
se aproxima mais
de quem está aguardando no cais
pela chegada triunfante
de cada errante.
E é neste cais das despedidas
que se constroem as nossas vidas.
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Guardada no coração a beleza das estações
Foste o meu verão silencioso
a minha brandura suave da alma
a minha chegada e a minha partida.
Foste o sonho do mar
e dos rochedos
na planície distante
e tudo aconteceu num instante.
Mas, acima de tudo, foste o tempo da oração
como quem estende uma mão a uma outra mão.
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