segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Guardada no coração a beleza das estações





Foste o meu verão silencioso

a minha brandura suave da alma

a minha chegada e a minha partida.


Foste o sonho do mar

e dos rochedos

na planície distante

e tudo aconteceu num instante.


Mas, acima de tudo, foste o tempo da oração

como quem estende uma mão a uma outra mão.




domingo, 30 de agosto de 2015

O perdão





Caminheiro, nessa estrada por onde fores,

procura o sentido mais reto

e faz sempre a escolha mais harmoniosa.


Pois, desde hoje, não há mais perdão.

A quem promove a injustiça, a carência,

a miséria, o insulto, a fome

não perdoaremos, mesmo que do fundo

de um coração complacente

se erga uma chama que apele à piedade.


Acredita, Caminheiro, não há perdão, há verdade,

neste caminho que conduz à Eternidade!








sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A cadência dos dias





A todos aqueles que me precederam

escrevo um hino de ovação:

merecida é por vós a minha gratidão!


E à Luz de um longo e infinito Dia,

que guardo no meu pensamento,

creio que poderei sempre voltar

à Paz do meu roseiral

como quem escreve um madrigal.







quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Outro tempo





Vindimo, agora, num outro lugar

e apenas espero

que este mosto seja de larga memória

nesta vida transitória.




terça-feira, 25 de agosto de 2015

Tempo repartido





Já doira o sol do meio-dia.

A tarde longa é passada no interior da casa

onde há uma fresquidão.

Que saudade, Deus meu, invade

já o meu ser

deste tempo que também há de morrer!






domingo, 23 de agosto de 2015

Memória





É breve tão breve cada momento

de tristeza de alegria

de saudade ou de eternidade.


Por isso, segredo baixinho,

como se tivesse encontrado um ninho,

«voa, passarinho, voa passarinho,

como as andorinhas sabem voar

e sempre a casa voltar».




sábado, 22 de agosto de 2015

Toda a Paz





Toda a Paz do silêncio

mora aqui a meu lado

como se na concha da mão

eu guardasse só o bater do Coração.



sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Regresso a Sul





Regresso, por breves instantes,

a este Sul do Coração de Mim.


Do mirante não vejo senão

o longe da planície escaldante

e o sossego

como se aqui desaparecessem

todos os medos

e o mais além do Homem, a Coragem,

estivesse comigo nesta paragem.






quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O sino da minha aldeia





Na minha aldeia, o sino toca

sempre a eternidade,

ora assinalando a passagem

da noite e do dia

ora em ovação

gritando as dores do coração.


É assim o meu presente, nesta aldeia,

tão imortal que até parece,

ao final da tarde,

que os deuses se passeiam na sombra,

ouvindo também este sino

tão pequenino.





quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Roseiral





É única, cada uma das rosas,

do meu roseiral,

e, como uma andorinha esvoaçando,

toda a fragrância que se liberta

torna cada uma uma rosa completa.







terça-feira, 11 de agosto de 2015

Roseiral





Não há mais Beleza

na Rosa que em partes se divide.

Só há Beleza na Unidade

e esta é a verdade.


Cada rosa tem a graciosidade

do Todo do seu Ser,

tudo para além é perecer.


Por isso, deixo morrer cada  rosa

no roseiral, pois a Unidade

permanece

e, assim, nada da Vida se esquece.






segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Vento suão





O espanta espíritos da casa

tem propositadamente

a forma de mandala

para lembrar, quando se agita

no vento, quanto é nosso só um momento

neste universo em movimento.


Por isso, celebro o vento suão

como o mistério de uma oração.



domingo, 9 de agosto de 2015

Água de prata





Medito longamente pela tarde fora,

e, ao mesmo tempo,

chovendo,

parece que a Alma

encontra o sopro, na distância

do tempo,

que permite que a largueza do Coração

não seja empregue em vão.



sábado, 8 de agosto de 2015

Verso irregular





Poeta herdeiro daquela gente esquecida,

estende, hoje, a tua mão

treinada na escrita

e constrói um hino de ovação

à tua linhagem das gentes

que cavaram na terra

os versos sublimes

de uma futura monção.








sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A tangência das horas





É madrugada.

Desperto na noite escura.

E, sem um horizonte de penedos,

não posso orar àquele deus desconhecido

que dá o conforto e a esperança

a cada um que é Criança.


Por isso, encerro-me no breu,

sem um farol dos sentidos,

como todos os Homens perdidos,

na busca de um sonho que não vem

e que não me leva mais Além.












quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Lembrança




Aqui, a Sul,

há uma outra esperança

que é feita só do recordar -

e, então, toda a Paz do universo

toma conta do meu Coração -

como se o tempo não se fosse jamais

embora de quem aqui, nesta rua, mora.





quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Dia comum





Se o sonhasse, seria este dia

um infinito instante

de liberdade e de perdão

para todos os filhos da Terra.


E haveria uma brisa amena e fria

a circundar todo o pensamento

mesmo o mais sedento,

perdido no desalento

da memória.


Assim se escreveria nova história

em que cada dia

teria uma natureza sadia.

















terça-feira, 4 de agosto de 2015

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A bênção da chuva




Fresca e breve, no mais tórrido calor,

a chuva é a bênção

tão desejada

para uma alma na sua jornada.



domingo, 2 de agosto de 2015

Terra à vista!





Deste cais, escrevo uma palavra

para o teu mundo,

Caminheiro da longa jornada,

dizendo-te que a hora é chegada.


E, se me ouvisses em silêncio piamente,

recordar-te-ia a longa e difícil travessia dos mares

que, sem a certeza de alcançar, deu à pátria a heroicidade verdadeira

daqueles que apenas buscam no infinito

a verdade de um só grito!


Assim se constrói o sonho na jornada

hora a hora e mais nada.






sábado, 1 de agosto de 2015

Êxodo para o Sul




O viajante pára à beira da estrada

para pisar a nova terra e o novo chão...

Oh! bela e estranha imensidão!,

que faz do homem que sabe ser

sozinho

um marco no caminho.