sábado, 17 de setembro de 2011

Sob os séculos


O livro «Sermão para o meu sucessor», do Marquês da Fronteira,

idealiza e transmite ideias e valores, entre outros aspetos, sobre a defesa do património.

Num dia que dediquei em visita aos Jardins do Palácio dos Marqueses da

Fronteira e à travessia do Aqueduto das Águas Livres, parece-me bem

evocar tal sermão que, com denodado brio, postula os valores da ética,

da nobreza, da honra e da dignidade humanas. Se me ocorresse

escrever, hoje, um sermão, postularia o princípio magno

da preservação da herança patrimonial, seja ela qual for,

uma nação, um palácio, uma simples casa... porque inteiramente

também no cosmos, numa ordenação exata, cada coisa

se mantém na medida conforme aos éons do tempo.

No cosmos, o balizamento é, aos nossos olhos, o de uma certa eternidade,

tal como, belamente, traduzida, nos Jardins do Palácio, que hoje visitei, nos

luminosos painéis de azulejos e no recorte geométrico de áleas e

arbustos. Disseram-nos «é um jardim para observar e não

um jardim para passear», e, justamente, seria este o argumento único

e o exemplo de matéria que utilizaria no sermão ao meu sucessor, que hoje

afinal não escrevi.